O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) iniciou, em setembro de 2026, a operação oficial do MONAN, sigla para Modelo para Previsões de Oceano, Terra e Atmosfera. O sistema foi desenvolvido para produzir previsões meteorológicas globais de médio prazo e passa a funcionar no supercomputador Jaci, instalado no centro de dados do instituto em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo.
Com alcance de até 11 dias e resolução espacial quase uniforme de 10 quilômetros, o modelo amplia a capacidade brasileira de acompanhar a evolução de diferentes condições atmosféricas. A expectativa é melhorar a antecipação de tempestades, frentes frias e períodos de seca severa, eventos que podem afetar cidades, áreas rurais, reservatórios e estruturas de serviços essenciais.
O anúncio foi feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em publicação divulgada em 4 de setembro de 2026 e atualizada em 9 de setembro. Segundo o instituto, a entrada em operação representa uma nova etapa para a produção de previsões numéricas voltadas às características da América do Sul.
Como funciona o modelo meteorológico MONAN
Modelos meteorológicos utilizam equações matemáticas e grandes volumes de dados para simular o comportamento da atmosfera, dos oceanos e da superfície terrestre. A resolução de 10 quilômetros significa que o território é dividido em áreas menores para os cálculos, permitindo representar com mais detalhes a distribuição das condições do tempo do que sistemas baseados em grades mais amplas.
O MONAN utiliza o núcleo dinâmico MPAS, desenvolvido pelo National Center for Atmospheric Research, dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o programa reúne adaptações e componentes produzidos pelo próprio INPE. De acordo com o instituto, o desenvolvimento ocorreu ao longo de mais de três anos e incluiu fases de testes antes da incorporação do modelo à rotina operacional.
O processamento é realizado no Jaci, supercomputador instalado na estrutura do INPE em Cachoeira Paulista. A capacidade de computação é essencial para executar cálculos complexos em escala global e atualizar as previsões dentro de uma janela útil para pesquisadores, órgãos públicos e instituições responsáveis pelo monitoramento de riscos.
Impacto para defesa civil, agricultura e energia
As previsões geradas pelo MONAN podem apoiar órgãos de defesa civil e centros de monitoramento de desastres na identificação antecipada de situações com potencial de impacto. Informações mais detalhadas sobre chuvas intensas, frentes frias ou estiagens ajudam a orientar o planejamento de medidas preventivas, especialmente em regiões sujeitas a alagamentos, deslizamentos ou restrições no abastecimento.
O avanço também pode ser relevante para o planejamento agrícola e a gestão de recursos hídricos. A possibilidade de acompanhar tendências atmosféricas com até 11 dias de antecedência oferece subsídios para decisões relacionadas ao uso da água, à organização de atividades no campo e à operação de sistemas que dependem do comportamento das chuvas.
No setor energético, previsões meteorológicas mais precisas podem contribuir para o planejamento da operação de estruturas influenciadas por chuva, vento, temperatura e disponibilidade hídrica. O modelo não elimina a incerteza própria das previsões do tempo, mas amplia a base científica utilizada para avaliar cenários e preparar respostas.
Próximas etapas do programa
O INPE prevê novas entregas para o MONAN, incluindo modelos regionais voltados à América do Sul com resolução de até 5 quilômetros. Também estão previstas previsões para diferentes escalas de tempo, abrangendo o curto prazo, a escala sazonal e a elaboração de cenários climáticos.
Outra frente de desenvolvimento envolve simulações em resolução ainda mais alta. Em uma publicação específica, o INPE registrou a execução de simulações globais a 3 quilômetros no supercomputador Jaci, destacando a capacidade do MONAN para representar fenômenos atmosféricos de grande intensidade. Esse tipo de teste faz parte do processo de evolução da ferramenta e não deve ser confundido com a previsão de um evento específico.
Para o Brasil, o desenvolvimento do MONAN reforça a busca por maior autonomia na produção de informações meteorológicas e climáticas. Embora utilize uma base científica internacional, o modelo incorpora componentes nacionais e é direcionado às necessidades de monitoramento do país e da América do Sul. Na prática, os resultados podem apoiar decisões públicas e privadas diante de eventos extremos, desde que analisados em conjunto com outras informações e atualizações meteorológicas.

