Na visão de Doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, a governança corporativa deixou de ser tema restrito a companhias abertas e passou a aparecer na pauta de empresas familiares e negócios de porte médio, que buscam reduzir conflito entre sócios e profissionalizar decisões estratégicas tomadas no dia a dia.
Esse movimento aparece com mais força à medida que empresas crescem além da gestão direta do fundador, quando decisões que antes cabiam a uma só pessoa passam a exigir critério compartilhado entre sócios, herdeiros e eventuais investidores externos envolvidos no negócio em expansão. A seguir, veja o que, na prática, muda primeiro quando esse processo começa dentro da empresa.
O que mudou na forma como empresas familiares pensam governança?
Durante muito tempo, governança corporativa foi associada à exigência regulatória de grandes companhias listadas em bolsa, distante da realidade de negócios familiares administrados pelos próprios donos, sem conselho, sem ata de reunião e sem separação clara entre patrimônio pessoal e da empresa ao longo dos anos.
Essa percepção mudou à medida que conflitos de sucessão e disputas entre sócios se tornaram mais visíveis, levando famílias empresárias a buscar regras claras antes que a próxima geração assuma o negócio, movimento que Gilmar Stelo observa com frequência crescente em empresas de médio porte.
Hoje, ferramentas antes restritas a grandes corporações, como acordo de sócios detalhado e conselho consultivo, aparecem também em negócios menores que buscam decisão organizada e critério claro para resolver divergência entre sócios, não apenas exigência legal distante da realidade cotidiana da empresa.
Por que separar sócio e gestor virou prioridade?
Em muitos negócios familiares, a mesma pessoa acumula o papel de dono, gestor e executor das decisões do dia a dia, o que funciona bem na fase inicial, mas cria confusão de papéis conforme a empresa cresce e mais pessoas passam a depender dessas decisões em diferentes áreas.

Separar claramente quem é sócio, quem decide estrategicamente e quem executa a operação reduz conflito e torna a empresa menos dependente de uma única pessoa, ponto que o doutor Gilmar Stelo considera central em qualquer processo de profissionalização bem-sucedido.
Essa separação não significa afastar o fundador da empresa, mas redefinir seu papel, migrando de decisões operacionais do dia a dia para decisões estratégicas de mais longo prazo, feitas de forma compartilhada com outros sócios e gestores envolvidos na condução do negócio.
O papel do conselho consultivo em negócios de porte médio
O conselho consultivo funciona como espaço formal de discussão estratégica, reunindo sócios e, em alguns casos, profissionais externos convidados para trazer perspectiva independente sobre decisões que afetam o futuro do negócio e a relação entre os sócios envolvidos.
Diferente do conselho de administração, obrigatório apenas para companhias de capital aberto, o conselho consultivo não tem poder de decisão formal, mas cria rotina de prestação de contas e discussão estruturada, o que o escritório Stelo Advogados aponta como primeiro passo acessível para negócios menores e em crescimento.
Empresas que adotam esse formato relatam decisões mais bem fundamentadas, porque discutem hipóteses antes de agir, em vez de decidir sozinhas sob pressão do dia a dia, sem qualquer instância de revisão prévia envolvida no processo de decisão final.
Até onde vale a pena formalizar a governança?
Formalizar governança não significa copiar a estrutura de uma grande corporação, com comitês e comissões para cada assunto, mas criar o mínimo de regra clara que evite decisão arbitrária e conflito evitável entre sócios ao longo do tempo e das gerações seguintes.
Para negócios de porte médio, o ponto de partida é um acordo de sócios atualizado e reuniões periódicas documentadas, nível de formalização que já reduz boa parte dos conflitos mais comuns entre sócios e herdeiros, pondera Gilmar Stelo, sem exigir estrutura complexa.
Tratar governança como processo gradual, ajustado ao tamanho real do negócio, é o que permite que empresas familiares colham os benefícios da prática sem transformar a rotina em burocracia desproporcional ao porte da operação, passo a passo, conforme a empresa amadurece.

