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Empresa familiar adota governança: O que está mudando

Irina Korenva
Irina Korenva Publicado 06/10/2026
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Gilmar Stelo
Gilmar Stelo
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Na visão de Doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, a governança corporativa deixou de ser tema restrito a companhias abertas e passou a aparecer na pauta de empresas familiares e negócios de porte médio, que buscam reduzir conflito entre sócios e profissionalizar decisões estratégicas tomadas no dia a dia.

Contents
O que mudou na forma como empresas familiares pensam governança?Por que separar sócio e gestor virou prioridade?O papel do conselho consultivo em negócios de porte médioAté onde vale a pena formalizar a governança?

Esse movimento aparece com mais força à medida que empresas crescem além da gestão direta do fundador, quando decisões que antes cabiam a uma só pessoa passam a exigir critério compartilhado entre sócios, herdeiros e eventuais investidores externos envolvidos no negócio em expansão. A seguir, veja o que, na prática, muda primeiro quando esse processo começa dentro da empresa.

O que mudou na forma como empresas familiares pensam governança?

Durante muito tempo, governança corporativa foi associada à exigência regulatória de grandes companhias listadas em bolsa, distante da realidade de negócios familiares administrados pelos próprios donos, sem conselho, sem ata de reunião e sem separação clara entre patrimônio pessoal e da empresa ao longo dos anos.

Essa percepção mudou à medida que conflitos de sucessão e disputas entre sócios se tornaram mais visíveis, levando famílias empresárias a buscar regras claras antes que a próxima geração assuma o negócio, movimento que Gilmar Stelo observa com frequência crescente em empresas de médio porte.

Hoje, ferramentas antes restritas a grandes corporações, como acordo de sócios detalhado e conselho consultivo, aparecem também em negócios menores que buscam decisão organizada e critério claro para resolver divergência entre sócios, não apenas exigência legal distante da realidade cotidiana da empresa.

Por que separar sócio e gestor virou prioridade?

Em muitos negócios familiares, a mesma pessoa acumula o papel de dono, gestor e executor das decisões do dia a dia, o que funciona bem na fase inicial, mas cria confusão de papéis conforme a empresa cresce e mais pessoas passam a depender dessas decisões em diferentes áreas.

Gilmar Stelo
Gilmar Stelo

Separar claramente quem é sócio, quem decide estrategicamente e quem executa a operação reduz conflito e torna a empresa menos dependente de uma única pessoa, ponto que o doutor Gilmar Stelo considera central em qualquer processo de profissionalização bem-sucedido.

Essa separação não significa afastar o fundador da empresa, mas redefinir seu papel, migrando de decisões operacionais do dia a dia para decisões estratégicas de mais longo prazo, feitas de forma compartilhada com outros sócios e gestores envolvidos na condução do negócio.

O papel do conselho consultivo em negócios de porte médio

O conselho consultivo funciona como espaço formal de discussão estratégica, reunindo sócios e, em alguns casos, profissionais externos convidados para trazer perspectiva independente sobre decisões que afetam o futuro do negócio e a relação entre os sócios envolvidos.

Diferente do conselho de administração, obrigatório apenas para companhias de capital aberto, o conselho consultivo não tem poder de decisão formal, mas cria rotina de prestação de contas e discussão estruturada, o que o escritório Stelo Advogados aponta como primeiro passo acessível para negócios menores e em crescimento.

Empresas que adotam esse formato relatam decisões mais bem fundamentadas, porque discutem hipóteses antes de agir, em vez de decidir sozinhas sob pressão do dia a dia, sem qualquer instância de revisão prévia envolvida no processo de decisão final.

Até onde vale a pena formalizar a governança?

Formalizar governança não significa copiar a estrutura de uma grande corporação, com comitês e comissões para cada assunto, mas criar o mínimo de regra clara que evite decisão arbitrária e conflito evitável entre sócios ao longo do tempo e das gerações seguintes.

Para negócios de porte médio, o ponto de partida é um acordo de sócios atualizado e reuniões periódicas documentadas, nível de formalização que já reduz boa parte dos conflitos mais comuns entre sócios e herdeiros, pondera Gilmar Stelo, sem exigir estrutura complexa.

Tratar governança como processo gradual, ajustado ao tamanho real do negócio, é o que permite que empresas familiares colham os benefícios da prática sem transformar a rotina em burocracia desproporcional ao porte da operação, passo a passo, conforme a empresa amadurece.

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