Segundo o Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel, sócio do escritório Pimentel & Mochi Advogados Associados, a recuperação judicial é um dos períodos mais delicados da vida de uma empresa, pois concentra decisões estratégicas, negociações complexas e forte exposição pública. Tendo isso em vista, em um ambiente digital marcado pela velocidade da informação, a circulação de fake news pode ampliar riscos e comprometer o esforço de reestruturação.
Quando uma empresa ingressa em recuperação judicial, surgem naturalmente dúvidas de mercado, fornecedores, instituições financeiras e até colaboradores. O problema ocorre quando informações distorcidas, incompletas ou falsas passam a circular como se fossem fatos. Logo, entender esse impacto é essencial para preservar valor, credibilidade e a própria viabilidade do negócio. Continue a leitura e compreenda como a desinformação pode afetar empresas em recuperação judicial e quais medidas ajudam a proteger a reputação nesse cenário.
Recuperação judicial e fake news: por que a desinformação se espalha com facilidade?
A recuperação judicial é um instituto legal previsto para permitir que empresas economicamente viáveis reorganizem suas dívidas e mantenham suas atividades, como informa o núcleo de recuperação judicial do escritório Pimentel & Mochi. No entanto, fora do meio jurídico, o tema ainda é cercado por estigmas. Muitas pessoas associam o pedido de recuperação judicial à falência iminente, o que abre espaço para interpretações equivocadas e notícias falsas.

Esse contexto cria um ambiente propício para a disseminação de fake news, especialmente em redes sociais, grupos de mensagens e até em relações comerciais informais. Informações como “a empresa vai fechar”, “os fornecedores não receberão” ou “há fraude no processo” ganham força mesmo sem qualquer fundamento jurídico. Na prática, essas narrativas aumentam a insegurança e podem gerar reações em cadeia, como cancelamento de contratos ou retração de crédito.
Além disso, a falta de comunicação estruturada por parte da empresa contribui para o problema, conforme pontua o Dr. Lucas Gomes Mochi, também sócio do escritório. Já que quando não há clareza sobre os objetivos da recuperação judicial e suas etapas, o silêncio é preenchido por especulações. Ou seja, a ausência de informação oficial costuma ser um dos principais gatilhos para a desinformação.
Como as fake news afetam a reputação de empresas em recuperação judicial?
De acordo com Rodrigo Pimentel Advogado, o impacto das fake news vai além da imagem institucional e alcança diretamente a operação do negócio. Uma empresa em recuperação judicial depende de confiança para renegociar prazos, manter clientes e garantir a continuidade das atividades. Logo, quando informações falsas circulam, essa confiança é abalada.
Na prática, empresários relatam dificuldades como perda de parceiros estratégicos, resistência de bancos em manter linhas de crédito e até desmotivação interna de equipes. Para o produtor rural que busca recuperação judicial, por exemplo, uma fake news pode gerar desconfiança em compradores da safra, afetando contratos essenciais para o fluxo de caixa. O dano reputacional, nesse caso, produz efeitos econômicos reais.
Isto posto, segundo o Dr. Lucas Gomes Mochi, a reputação deve ser tratada como um ativo estratégico durante a recuperação judicial. Conforme essa visão, proteger a imagem da empresa é parte do próprio planejamento jurídico, pois reduz ruídos nas negociações e reforça a percepção de seriedade perante credores e o Judiciário.
Estratégias práticas para proteger a imagem durante a recuperação judicial
Diante desse cenário, a proteção da reputação deve fazer parte do planejamento da recuperação judicial desde o início. Algumas medidas práticas ajudam empresários e produtores rurais a reduzir os efeitos das fake news e preservar a credibilidade do negócio. Aliás, antes de listar essas estratégias, é importante lembrar que elas devem ser adaptadas à realidade de cada empresa e alinhadas com a assessoria jurídica. Tendo isso em vista, entre as ações mais relevantes, destacam-se:
- Comunicação clara e regular: manter parceiros, credores e colaboradores informados sobre os objetivos e etapas da recuperação judicial reduz espaço para boatos.
- Alinhamento entre jurídico e gestão: decisões legais precisam ser compreendidas pela administração para que a mensagem transmitida seja coerente e segura.
- Monitoramento de informações públicas: acompanhar o que é divulgado sobre a empresa permite respostas rápidas a conteúdos falsos ou distorcidos.
- Postura institucional responsável: evitar discursos defensivos ou reativos ajuda a reforçar a imagem de transparência e comprometimento com a reestruturação.
Essas práticas não eliminam totalmente a desinformação, mas reduzem significativamente seus impactos. Após a adoção dessas medidas, é comum que a percepção do mercado se torne mais equilibrada, favorecendo negociações e a continuidade das atividades.
A confiança e a comunicação como ativos estratégicos
Em conclusão, a recuperação judicial não deve ser vista apenas como um procedimento jurídico, mas como um processo de reconstrução da confiança. Nesse contexto, a reputação empresarial assume papel central. As fake news representam um risco concreto, mas podem ser enfrentadas com planejamento, informação e postura estratégica, como destaca Rodrigo Pimentel Advogado.
Portanto, ao compreender o impacto das fake news e adotar medidas preventivas, empresários e produtores rurais conseguem proteger não apenas a imagem, mas o próprio futuro do negócio. Assim, em um cenário de incertezas, a informação correta e uma estratégia bem definida fazem toda a diferença para que a recuperação judicial cumpra seu papel de recomeço sustentável.
Autor: Arkady Prokhorov


