O Ministério da Educação instituiu uma nova estrutura nacional para apoiar políticas públicas ligadas ao uso da tecnologia nas escolas. A Portaria MEC nº 745, assinada em 5 de outubro de 2026 e publicada no dia 7, criou o Comitê Nacional de Educação Digital e Midiática, Inovação e Conectividade (Cnedic) e a Rede Nacional de Articuladores de Educação Digital e Midiática, Inovação e Conectividade (Renedic).
As duas estruturas terão funções consultivas, de articulação e de cooperação técnica. Na prática, a proposta é aproximar órgãos e profissionais envolvidos na formulação e na execução de iniciativas de educação conectada, inclusão digital, inovação e formação para o uso crítico das tecnologias. A medida tem alcance nacional e pode orientar a cooperação entre o governo federal e as redes estaduais e municipais de ensino.
O que são o Cnedic e a Renedic
O Cnedic será o espaço nacional de articulação das políticas relacionadas à educação digital e midiática, à inovação e à conectividade. Seu papel não é substituir as secretarias de Educação nem administrar diretamente as escolas, mas contribuir com discussões, recomendações e cooperação técnica para que as ações públicas sejam planejadas de forma integrada.
Já a Renedic funcionará como uma rede de articuladores. A estrutura deverá favorecer a circulação de informações, experiências e demandas entre diferentes áreas e níveis de governo. Essa conexão é relevante porque os desafios de uma escola localizada em uma capital podem ser diferentes daqueles enfrentados por unidades em municípios pequenos, áreas rurais ou regiões com infraestrutura limitada.
A própria natureza prevista para as estruturas exige atenção: a criação do comitê e da rede não significa que novas ferramentas, equipamentos ou programas serão implantados imediatamente em todas as escolas do país. A portaria estabelece uma base de articulação e apoio técnico, mas a execução das políticas dependerá de ações posteriores, da capacidade das redes de ensino e das condições disponíveis em cada localidade.
Políticas públicas que entram no debate
O trabalho do Cnedic e da Renedic está relacionado à Política Nacional de Educação Digital, à Estratégia Nacional de Escolas Conectadas e às diretrizes nacionais sobre o uso de dispositivos digitais nas escolas. Esses temas envolvem mais do que a distribuição de computadores, tablets ou acesso à internet: também incluem formação de professores, segurança, pensamento crítico e participação responsável no ambiente digital.
Uma escola conectada precisa ter condições técnicas para acessar a rede, mas a conexão, por si só, não garante aprendizagem. É necessário que educadores saibam selecionar recursos adequados, relacionar ferramentas digitais aos objetivos pedagógicos e orientar os estudantes diante de informações falsas, conteúdos manipulados e riscos de exposição indevida.
Por isso, a educação midiática e informacional aparece associada à agenda de conectividade. O objetivo é preparar alunos para compreender como as informações circulam, avaliar fontes, reconhecer diferentes linguagens e utilizar plataformas digitais com responsabilidade. Para os professores, o desafio inclui incorporar a tecnologia sem transformar o recurso em finalidade da aula.
Possíveis impactos para redes de ensino e famílias
Para estados e municípios, a nova governança pode facilitar a troca de experiências e a identificação de prioridades comuns. Também pode contribuir para que projetos de conectividade sejam acompanhados por iniciativas de formação e suporte pedagógico, reduzindo a distância entre a entrega de infraestrutura e o uso efetivo dos recursos em sala de aula.
O impacto para estudantes e famílias, entretanto, tende a depender da implementação local. A existência do Cnedic e da Renedic não altera automaticamente a rotina das escolas, o currículo ou as regras de uso de celulares e outros dispositivos. As mudanças concretas poderão surgir à medida que políticas específicas sejam regulamentadas, financiadas e executadas pelas redes responsáveis.
Para acompanhar possíveis desdobramentos, o leitor pode consultar o ato oficial no sistema de normas do Ministério da Educação. A agenda mais ampla de conectividade e inclusão tecnológica também é acompanhada pelo Ministério das Comunicações, enquanto a Agência Brasil reúne atualizações jornalísticas sobre políticas públicas nacionais.
O principal efeito esperado da medida é criar um canal permanente de cooperação para que tecnologia, currículo e formação caminhem juntos. A conectividade pode ampliar o acesso a conteúdos e serviços, mas sua contribuição para a educação dependerá de planejamento, acompanhamento e condições para que professores e estudantes desenvolvam competências digitais, midiáticas e informacionais.

