Com Casagrande de saída para o Senado e Ferraço assumindo o governo, o Espírito Santo entra na reta final antes das convenções partidárias com um cenário ainda em aberto.
O Espírito Santo vive, desde abril de 2026, uma transição política que não acontecia há mais de uma década. Renato Casagrande, que governou o estado em três mandatos e construiu um modelo de gestão reconhecido nacionalmente por equilíbrio fiscal e bons indicadores sociais, deixou o Palácio Anchieta para disputar uma das duas vagas capixabas ao Senado Federal. Em seu lugar, assumiu o vice-governador Ricardo Ferraço, do MDB, que já confirmou sua pré-candidatura ao governo e conta com o apoio declarado do próprio Casagrande. A questão que movimenta a política capixaba neste junho é se esse apoio será suficiente para garantir a continuidade do grupo político ou se o eleitorado decidirá mudar de direção em outubro. O cenário tem tudo para ser disputado.
A herança política de Casagrande e o trunfo de Ferraço
Casagrande deixou o governo com um discurso de realizações consistente. Em entrevista ao portal Conexão Safra por ocasião do anúncio da renúncia, em março, o ex-governador listou o equilíbrio fiscal, o Fundo Soberano, a menor dívida proporcional entre os estados brasileiros e os bons resultados no Ensino Médio como marcas da gestão. São credenciais que Ferraço herda automaticamente ao ocupar o cargo e que devem pautar sua campanha como candidato à reeleição, já que quem assume o governo eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa pode concorrer no pleito seguinte. Para Ferraço, a missão é clara: segurar a base aliada, manter os programas em andamento e se apresentar ao eleitor como continuidade natural de um projeto bem avaliado.
O desafio, no entanto, está justamente na avaliação. Ferraço é um nome conhecido nos bastidores políticos e no empresariado, mas ainda pouco popular entre o grande público. A construção de visibilidade em apenas seis meses, período entre a posse em abril e o primeiro turno em outubro, é uma corrida contra o relógio. Segundo o portal ND Mais, que publicou em junho de 2026 uma análise sobre as projeções eleitorais capixabas, a maior incógnita do cenário é justamente saber se o capital político de Casagrande transfere votos de forma eficiente ou se os eleitores vão querer conhecer melhor Ferraço antes de decidir.
O adversário mais forte: Pazolini e a disputa fora da Grande Vitória
Lorenzo Pazolini, ex-prefeito de Vitória pelo Republicanos, é apontado como o principal adversário de Ferraço na disputa pelo Palácio Anchieta. Ele deixou o cargo em abril, dentro do prazo exigido pela Justiça Eleitoral, e agora percorre o interior do estado tentando construir um eleitorado além da capital. A estratégia é clara: Vitória já o conhece, mas governar o Espírito Santo exige votos em cidades como Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, Colatina e São Mateus, onde sua presença ainda é menor. O portal ND Mais aponta que Pazolini lidera pesquisas espontâneas, mas que a vantagem ainda é frágil e dependente de como cada candidato se posicionará nas convenções partidárias, previstas para julho e agosto.
O cenário para o Senado adiciona mais complexidade ao tabuleiro. Casagrande é um dos favoritos a conquistar uma das vagas, de acordo com levantamentos citados pelo mesmo veículo. Se ele tiver um desempenho eleitoral forte, isso pode arrastar votos para Ferraço ao governo e fortalecer ainda mais a base aliada. Por outro lado, se a candidatura ao Senado performar abaixo do esperado, o efeito pode ser o oposto e gerar um distanciamento em relação ao nome do MDB. A eleição capixaba, portanto, não pode ser lida isoladamente: cada candidatura afeta as demais dentro do mesmo campo político.
O que os capixabas podem esperar até outubro
Para o eleitor comum, o cenário de junho ainda é de observação. As convenções partidárias só acontecem entre julho e agosto, e o horário eleitoral gratuito começa em agosto, com o primeiro turno marcado para 4 de outubro. Até lá, o governo Ferraço administrará com um olho na gestão e outro na campanha, o que é normal em anos eleitorais, mas exige atenção da população para que as políticas públicas não entrem em modo de piloto automático. Temas como infraestrutura, segurança pública, educação e o desempenho do Fundo Soberano criado por Casagrande devem pautar os debates.
O que está claro, por enquanto, é que o Espírito Santo vai a outubro com uma eleição ao governo genuinamente competitiva pela primeira vez em muitos anos. A ausência de Casagrande na disputa abre espaço para que novos perfis se consolidem e para que o eleitor capixaba escolha com menos clareza do que nas últimas disputas. Seja pela continuidade representada por Ferraço ou pela renovação prometida por Pazolini, a política estadual entra em uma fase de definição que começa agora e vai crescendo em intensidade até o dia do voto.
Fontes: Gazetadopovo.com.br, Conexão Safra (conexaosafra.com.br), ND Mais (ndmais.com.br), Tribuna Online (tribunaonline.com.br)
Autor: Diego Rodríguez Velázquez


